omente mais um dia comum,
pensou Azrel enquanto navega a barca com seu prisioneiro pelo rio Styx. Mais um
dia tendo que levar os prisioneiros a sua condenação e depois a sua punição.
- Por que estou aqui? - pestanejava
o prisioneiro - Não deveria estar aqui, você tem alguma idéia de quem eu sou?
Quando descobrirem o que você fez comigo, virão atrás de mim, para me buscar,
eu sou o presidente do...
- Acho que você não entendeu
ainda, ninguém virá te buscar. – respondeu friamente Azrel, que não suporta as
mentiras dos culpados – Não me interessa quem você é, se você está aqui, você é
culpado.
- Culpado por qual motivo?
Nunca fiz nada de errado em minha vida... – engolia sua saliva em seco o
prisioneiro – deve haver algum engano. Sim, com certeza ocorreu um engano!
- Não há enganos. Guarde
suas palavras para o juiz, prisioneiro, eu só cumpro ordens e minha ordem foi
trazê-lo para cá. – disse dando um basta por fim nesta conversa. – Cale-se
antes que eu perca minha paciência.
Finalmente silencio pensava
Azrel. Apesar de ser responsável por cuidar dos prisioneiros e transportá-los
até seu castigo, não era um anjo mal. Ele simplesmente não aguenta ver como os
culpados tentam fugir de suas culpas, mesmo quando seu destino já está evidente
e não há escapatória.
Finalmente estavam chegando
ao segundo circulo onde o prisioneiro seria condenado a sua pena. Azrel
manobrou a barca aportando-a as margens do rio.
- Desembarque prisioneiro. –
comandou Azrel conduzindo o condenado – Me acompanhe. Está na hora de sua condenação.
- Como condenação? Exijo ser
julgado corretamente e com um advogado de defesa. – reclamava novamente o
prisioneiro.
- Humanos, são tão
engraçados. – ria friamente o anjo encapuzado – Novamente você ainda não
compreendeu. Se você está aqui, você já é culpado, só lhe resta saber qual sua
punição. Agora fique quieto e ouça o que o juiz tem a lhe dizer. – disse se
virando para um palanque esculpido em pedra – Grande Minos, juiz do Inferno,
lhe convoco para decidir qual o castigo que esse mortal pecador deverá receber.
- Azrel, chefe da guarda e
carcereiro infernal, vejo que está pontual como sempre – disse a figura saída das
sombras – Sinto cheiro de medo, está com medo de mim humano?
- Nã....Não! Apareça por
completo e me encare de frente! – gaguejava ao dizer essas palavras o pobre
humano.
- Infelizmente, você não é
digno de minha imagem seu verme, é provável que você entre em colapso diante
mim – exclamava com orgulho – Agora, me diga qual foi seu pecado, facilite as
coisas e não minta.
- Eu não fiz nada na minha
vida, sou inocente! Com certeza houve um equivoco, é o que eu estou tentando
dizer desde que cheguei, eu sou o Presidente...
- Azrel, esse verme não quer
colaborar, utilize sua foice nele antes que eu perca a paciência. - ordenou Minos ao carcereiro.
- Enfim permissão para fazer
isso, fique quieto e aprenda a não mentir humano – dizendo isso materializou
sua foice de dentro de seu manto e com único golpe, havia cortado o dom da inteligência
do humano, assim tirando sua capacidade de mentir – Agora, diga novamente, que
pecados cometeu para ser mandado ao inferno?
- Governei meu país de modo
tirano – respondeu prontamente e claramente – Nunca pensei no bem da nação e
sim em meu próprio benefício, apesar de
nunca ter sujado minhas mãos diretamente, carrego o sangue de inúmeros através de
minhas ordens, esse foi o pecado mais significativo em minha vida.
- Muito bem verme, está será
sua punição então – ao dizer essas palavras a cauda da figura saiu das sombras
e se enrolou em sete círculos.
- O que isso significa? –
perguntou o prisioneiro ainda em um estado de transe
- Você foi condenado ao sétimo
circulo do inferno, ao primeiro vale, o vale do rio Flagetonte. – respondeu sem
surpresa nenhuma Azrel – Será mergulhado até as sobrancelhas no sangue fervente
dos inocentes que sua tirania fez mal. Agora me acompanhe, que te levarei a sua
eterna punição.
Sem mais palavras, Azrel
arrastou o prisioneiro até a entrada do segundo circulo, preparando-se para a
descida.
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Cap. I
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Sede
Sede, uma reação biológica do seu corpo quando lhe falta o
liquido mais essencial, a água. Sua saliva fica mais espessa, sua língua mais áspera,
sua garganta começa a secar.Cada respiração parece um punhado de areia em sua
boa, você quase não consegue pensar em nada que não seja um bom copo da água. O
tempo parece se arrastar e a cada momento que você passa sem beber a sensação
fica pior e pior.
Quando você finalmente consegue um pouco do liquido da vida,
o alivio é quase imediato, sorve com gosto sua bebida até as gotas finais. Não
há sensação melhor que a de se sentir esse liquido refrescante descendo
enchendo sua boca e descendo sua garganta, é quase como um veio de água em um oásis
no deserto. Seu corpo começa a se sentir satisfeito e refrescado, finalmente
reabastecido e satisfeito.
Esse é o comportamento básico de uma pessoa com sede,
ignorar todo o resto para conseguir satisfazer sua necessidade para então enfim
se sentir satisfeita consigo mesma, afinal nada melhor do que matar sua sede...
Pena que as pessoas não tem somente sede de água....
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